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Luciféricos

Eis a grande questão da humanidade: Aonde foi que erramos? Seguindo a tese espiritual e religiosa consolidada no ocidente, há à crença de que o homem está aqui como forma de pagamento dos seus próprios atos, consumados nos primórdios de sua existência. Carregamos nos dias atuais o karma de um sofrimento causado pelos nossos “pais”, Adão e Eva que sucederam-se após comer o fruto da árvore do conhecimento e, como castigo, foram expulsos do tal paraíso cedido pelo criador.
Tais consequências são idênticas ao ocorrido com Lúcifer, anjo que segundo a crença, se opôs a entidade superior. Ambos os casos trazem o questionamento do livre arbítrio: Qual o poder de escolha que temos? Se opor e contrariar as divindades faria algum ser tornar-se mal? Diante dessas indagações, nota-se que, ambos adventos não carregam causas de carga negativa, vide Lúcifer. O anjo decidiu que, por si só, desejaria tomar suas próprias decisões, andar com as próprias pernas e, ao contrário do que dizem, não foi na contra-mão, mas, sim, fez seu próprio caminho, suas próprias escolhas.
Em tempos contemporâneo, o ato soa, um tanto quanto, natural. Trilhamos nossos próprios caminhos sem tal julgamento, então, sendo assim, onde está o pecado? Onde está o livre arbítrio?
Somos seres luciféricos e seguimos àquele que renegamos e foi renegado. A evolução espiritual está trancada a sete chaves ou até mesmo foi tomada pelas águas, talvez, a mesma do tal dilúvio que encobriu os Pilares de Hércules em Atlântida.

Geração dos cegos órfãos

Nas últimas semanas, mais do que de costume, venho notando que esta geração está crescendo cega da cabeça. Vivemos numa época globalizada onde tudo está próximo, os grupos sociais se definem facilmente e a tal diversidade, nem é tão diversa assim. Vejo muito nas rodas de conversas, principalmente entre os adolescentes, uma padronização horrenda. Tem dias que gostaria que todos fossemos cegos dos olhos, talvez o mundo seria melhor.

Imagine, se o nosso convívio social fosse feito somente através da audição, escolher relacionar-se com alguém, tenho absoluta certeza, seria infinitamente melhor. Ouvir somente a voz da pessoa, prestar atenção, literalmente, comprar uma idéia. Se, por ventura, isto ocorresse, por pelo menos um mês na vida de todos e depois voltássemos a enxergar, nada em nossa volta seria igual. Estaríamos rodeados de estranhos que nos tocaram de tal forma que, incrivelmente, o significado de valer a pena faria sentido. Entenderíamos que uma palavra é o maior conforto do ser. Às vezes, dá-me a sensação de que há muita gente olhando demais e ouvindo de menos.
Os pais da geração anterior à minha perderam seus filhos para a rua e para o mundo. Perderam os filhos para as drogas. Droga da beleza que são cobrado. Ficaram cego dos ouvidos, já dizia minha vó. Perdemos-nos. Estamos sozinhos assistindo ao mundo sozinho.

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CRÔNICA

Este texto deveria dizer mais do que ele realmente diz

Nunca fui bom em usar palavras, principalmente quando preciso tirá-las da cabeça e fazer força pra sairem da garganta que aperta quando menos deveria. Já criei mil teorias para entender a mim mesmo quanto a isto, por vezes, creio que a culpa são das estrelas que apontavam a constelação de cancêr e no horizonte a leste, a constelação de aquário no exato momento que apontei neste Éden infernal, onde anjos e arcanjos não ousam pousar. As coisas fáceis nunca foram as que eu mais gostei. Aceitei esta dádiva e aqui estou para jogar o jogo. Me dá a camisa 5 que eu começo a pensar o jogo. Levanto a cabeça pra começa a jogada, desarmei o adversário e já procuro o 10 pra ir pra cima com a bola no chão. CALMA! Grita o cara que assiste o jogo. Não precisa correr. Faz o giro, espera o adversário recuar, se for preciso, volto o jogo na zaga central e já me apresento pra começar sem pressa. O meio-campo é meu, sou eu quem dá o bote. Eu que carrego o piano, nessa faixa do campo, eu jogo sozinho.
Sempre preferi à solidão do que a companhia. Não é questão de estar sozinho, mas o querer de uma única companhia. Adoro um aconchego de casa e um bom afago. Um cafuné antes de dormir sempre caiu bem. Expectativas é o  mais complicado de controlar, sempre se espera mais do outro, mesmo sendo tolerante, é inevitável o afastamento e isolamento. Antropologicamente falando, ainda boto fé na palavra alheia, mas nem sempre a palavra condiz com atitudes. Disso eu não entendo. Me esforço, mas não entendo.
NÃO! Vem o grito de fora. Fodeu! Contra-ataque tá sendo armado e me pegaram com as calças na mão. Bola na costas do lateral. Não posso sair da minha parte do campo, senão o meio fica aberto e a segunda bola vai ser dos caras, de frente pro gol. Lá vai o zagueiro tentar cobrir o lateral. Ficou pra trás. Olha o cruzamento… subi. Coloquei pra escanteio. Paguei geral. Quebraram o esquema e casa quase caiu.
Às poucas vezes que saio do casulo, me exponho demais. Fico em silêncio até explodir. O silêncio até que ia bem. Vou me manter calado, assim parece que estou tranquilo. Eles vão se perguntar: “De onde vem a calma daquele cara?”. Melhor continuar sendo honesto a mim mesmo. Essas multidões não me causam conforto. Com licença, acho que vou para casa.

Cada um tem seu tempo e depois entra em silêncio

O silêncio até que ia bem. Tá aí, meu mundo.

Leonardo Boff

Há um livro curioso do Primeiro Testamento, o Eclesiastes (em hebraico Coélet), que não menciona a eleição do povo de Deus, nem a aliança divina, sequer a relação pessoal com Deus. Representa a fé judaica inculturada na visão grega da vida. Possui um olhar agudo sobre a realidade assim como se apresenta e nutre a reverência para com todos os seres. Há uma passagem assáz conhecida que fala do tempo: “há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de colher, tempo de rir e tempo de chorar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz” e por aí vai (c. 3,2-8).

Há muitas formas de tempo. Precisamos nos libertar de um tipo de tempo dominante, aquele dos relógios. Todos somos reféns deste tipo de tempo mecânico. Conhecem-se relógios – o primeiro foi o relógio do sol – já há…

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Cada um carrega sua cruz

Quando espiritualizei-me, descobri o que é vida. Aprendi que fé é acreditar em algo que não existe. Cada um carrega um Deus dentro de si. Possuir e sentir a alma é o divino, é a dádiva reciproca da vida. Vida esta que contém tudo e não está contida em nada. Descobri que a intensidade da vida está além do nosso agir. É muito mais o sentir do que qualquer outra ação. Quem sente o fogo que há internamente sente-se vivo. Atravessa a alma, queima. Alucina o animal em mim que vive e ferve nesse ritual.
Existe algo que nunca morre e responde por espírito. Este habita um corpo físico que um dia morre, um dia para. Um dia, simplesmente, voltará a ser pó. Enquanto isso, o espírito se mantém eternamente. ELE é um processo de mudança contínua. ELE está em evolução o tempo todo e apenas descansará quando se preencher de tudo aquilo que necessita. A morte não é um final, é apenas um recomeço. O espírito só descansará quando purificar a alma e desenvenenar a mente. Quem se prende ao passado morre, eu aprecio o movimento. Pedra que não rola, cria limo.
Deixei de ser um escravo da religião e tornei-me um escravo do processo natural. Sigo e deixo de ser otário, é a evolução natural. Eu que não pago mais de escravo espiritual, efeituei uma revolução pessoal. Eu percorro esta estrada que não tem saída procurando o sentido que devo dar há algo que não tem sentido algum. Olho vivo e faro fino.
Esse ritual é uma grande onda que me faz seguir nesse vasto oceano. Estou aqui para viver e sentir e aos céus pedir proteção. Por tudo que já passamos, a festa já vai começar. Entrei na dança. Toma cuidado para não me afogar, abro a mente para poder te encontrar. Nesse desafio, eu me equilíbrio, enquanto essa vida insana flui. Procuro por algo real que me faça continuar aqui.

Males do mundo

Se há alguma coisa da qual sei que irá atormentar-me por toda eternidade, ela responde por dúvidas. Todos nós temos perguntas sem respostas que insistem em gritar em nossas cabeças. É aquele oceano de interrogações em nossos pensamentos, desde às mais simples indagações até os mais complexos. 

Tenho certeza de que isto não é um mal exclusivamente meu. A questão em si não se trata do “Se” que muitos carregam. Honestamente, este é o motivo de um sofrimento sem fim. A pergunta que começa com “E se…” destrói tudo, principalmente o tempo presente. No caso que vos digo, são questões de uma complexidade maior. Nada baseado no eu, mas em nós. É a necessidade de entender um todo, um mundo, um universo. Por mais que o mundo de cada um possa ser traduzido em um alguém. Na verdade, o mundo de ninguém se resume só em um alguém, isto é pouco e garanto que pensastes em um plural. Bom, minhas dúvidas são de complexidade além disso. É a certeza de que eu não sei de onde vim, para onde vou, o que devo fazer. Não existe manual, instruções a seguir e isto atormenta muito. Por qual motivo estamos aqui ?Por mais que estar vivo seja uma dádiva, eu não entendo o funcionamento disso tudo. Existe alguma razão em especial ? A única certeza de que tenho é isto tem um fim. A estrada é uma só e não tem saída. Então, o que devo fazer aqui ?

Dizem que os males do mundo são a desigualdade, a fome, a ganância, a intolerância. Ao meu ver são às perguntas sem respostas e tudo faz parte disso. É uma tortura psicológica que parece ter o peso do mundo, mesmo não sabendo o quão pesado seja ele. Um dia me disseram apenas para ser uma boa pessoa. Já fui. Eu sou. Acho que serei. Eu não sei. Afinal, o que é ser bom ? O que é certo ? Eu não sei. Só sei que essa relatividade incomoda. Considero que já fui bom para certas pessoas, mas não foi bem assim que elas acharam. Eu não sei de nada, apenas acho. Quem acha que sabe, não sabe de nada. Quem sabe, não acha

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Ego Sistema

Procura-se por alguém que alimente meu ego

A cada dia, pelo que parece, vivemos num Ego Sistema. Sim, isto mesmo, Ego Sistema. Este já encontra-se tão grande que estamos aprendendo, ou melhor, estamos esquecendo os verdadeiros valores. A oferta hoje são números e existem muitos interessados nisto.
Veja bem, não há provas científicas, nem dados estatísticos feito, há exclusivamente visões do cotidiano que vivo ou entendo. É apenas um FEELING de quem vos escreve. Não acho que sou tão reparador, longe disso, porém juntando as coisas que muitas pessoas me dizem – entenda como um desabafo – percebo que elas não conseguem suprir a necessidade do outro. Tudo se baseia em duas disciplinas principais, a matemática e o português. Números e interpretações.
Se eu fosse nomear o nome de todas as pessoas que vive dizendo estar carente, se sentindo só, acho que demoraria algum tempo. Não que isso seja um problema. É normal, eu sei, mas os motivos são muito semelhantes. Mesmos enredos com personagens diferentes. Será que esquecemos de como conviver em comunidade e de que diferenças vão muitos mais do que a cor da pele ou a do tipo de cabelo ? Invertemos valores simples. Estamos a preferir o preço do que realmente sua necessidade e função. Talvez, uma grande paranóia minha, contudo, faz algum tempo onde noto que estamos nos relacionando cada vez mais e mais com pessoas que inflam nosso infinito ego. Estamos deixando de lado aquele que , por vezes, tentam abrir nossos olhos, por achar que não nos apóia e preferindo cada vez mais quem nos apóia em TUDO, mesmo sabendo que parte desse tudo, não valha a pena, mas que de alguma forma, faça nos sentir como “eu fiz MAIS uma vez”, “eu ganhei MAIS uma vez”. As coisas parecem se resumir ao mais. Mais demais faz mal. Apoio demais é de se duvidar. Ganhar demais, nos faz perder o que não deveria. Querer ser mais nos faz menos desnecessariamente. É muita soma e multiplicação e pouca interpretação. Tenho, mas não entendo. Entendo, mas não tenho.