CRÔNICA

Este texto deveria dizer mais do que ele realmente diz

Nunca fui bom em usar palavras, principalmente quando preciso tirá-las da cabeça e fazer força pra sairem da garganta que aperta quando menos deveria. Já criei mil teorias para entender a mim mesmo quanto a isto, por vezes, creio que a culpa são das estrelas que apontavam a constelação de cancêr e no horizonte a leste, a constelação de aquário no exato momento que apontei neste Éden infernal, onde anjos e arcanjos não ousam pousar. As coisas fáceis nunca foram as que eu mais gostei. Aceitei esta dádiva e aqui estou para jogar o jogo. Me dá a camisa 5 que eu começo a pensar o jogo. Levanto a cabeça pra começa a jogada, desarmei o adversário e já procuro o 10 pra ir pra cima com a bola no chão. CALMA! Grita o cara que assiste o jogo. Não precisa correr. Faz o giro, espera o adversário recuar, se for preciso, volto o jogo na zaga central e já me apresento pra começar sem pressa. O meio-campo é meu, sou eu quem dá o bote. Eu que carrego o piano, nessa faixa do campo, eu jogo sozinho.
Sempre preferi à solidão do que a companhia. Não é questão de estar sozinho, mas o querer de uma única companhia. Adoro um aconchego de casa e um bom afago. Um cafuné antes de dormir sempre caiu bem. Expectativas é o  mais complicado de controlar, sempre se espera mais do outro, mesmo sendo tolerante, é inevitável o afastamento e isolamento. Antropologicamente falando, ainda boto fé na palavra alheia, mas nem sempre a palavra condiz com atitudes. Disso eu não entendo. Me esforço, mas não entendo.
NÃO! Vem o grito de fora. Fodeu! Contra-ataque tá sendo armado e me pegaram com as calças na mão. Bola na costas do lateral. Não posso sair da minha parte do campo, senão o meio fica aberto e a segunda bola vai ser dos caras, de frente pro gol. Lá vai o zagueiro tentar cobrir o lateral. Ficou pra trás. Olha o cruzamento… subi. Coloquei pra escanteio. Paguei geral. Quebraram o esquema e casa quase caiu.
Às poucas vezes que saio do casulo, me exponho demais. Fico em silêncio até explodir. O silêncio até que ia bem. Vou me manter calado, assim parece que estou tranquilo. Eles vão se perguntar: “De onde vem a calma daquele cara?”. Melhor continuar sendo honesto a mim mesmo. Essas multidões não me causam conforto. Com licença, acho que vou para casa.

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